77 3612-0426 / 99973-8813 Área do Assinante Webmail

Pesquisadora brasileira alcança recorde de velocidade de internet em fibra óptica

Uma conexão tão veloz que baixaria mil filmes em alta definição, cada um no tamanho de um disco Blu-ray (25 GB), em apenas um segundo.

Foi isso o que uma pesquisadora brasileira em Londres conseguiu ao estabelecer o recorde de transmissão de internet por fibra óptica, que chegou a 178,08 Tb/s (terabits por segundo).

A pesquisa foi realizada durante dois anos por cientistas University College de Londres (UCL), com a liderança da engenheira brasileira Lídia Galdino. O avanço tem o potencial de alimentar a próxima geração de internet móvel, o 5G, além de acelerar a troca de dados em outras aplicações.

A velocidade chega perto do limite teórico de transmissão de dados definido pelo matemático Claude Shannon em 1949. O estudo foi publicado na edição de julho na revista “IEEE Photonics Technology Letters”.

A conexão estabelecida pelos pesquisadores é em média três vezes mais rápida do que as melhores conexões por fibra disponíveis comercialmente nos dias de hoje (60 Tb/s) e um quinto mais rápida do que o recorde anterior, obtido por pesquisadores no Japão (150 Tb/s).

Entendendo a pesquisa

Para atingir essa velocidade, Lídia e seu time trabalharam em duas frentes: uma física, de hardware, e outra no campo de software.

A tecnologia criada permitiu otimizar os sinais e corrigir inconsistências entre frequências de luz.

O primeiro passo foi desenvolver um amplificador de sinal aprimorado.

Em entrevista, a cientista explicou que os cabos de fibra óptica, que transmitem dados pela luz, precisam de amplificadores em intervalos determinados para que o sinal não perca qualidade.

O novo amplificador dobrou a extensão comprimentos de onda (ou “cores”) para transmitir os dados pelo cabo de fibra óptica.

Na outra ponta, do software, foi otimizada a codificação dos dados para que as propriedades da luz como o brilho, fase e polarização dos diferentes comprimentos de onda fossem utilizados de forma mais eficiente, aumentando a velocidade de cada comprimento de onda transmitido.

Pesquisadora Lídia Galdino obteve o recorde de transmissão de dados em fibra óptica. — Foto: James Tye/UCL
Pesquisadora Lídia Galdino obteve o recorde de transmissão de dados em fibra óptica. — Foto: James Tye/UCL

Embora as duas tecnologias não sejam dependentes, foi a combinação que garantiu o novo recorde, obtido em uma infraestrutura com distância de 40 km.

Vantagens do amplificador

A pesquisadora destaca que sua pesquisa tem uma vantagem econômica, já que seria possível instalar esses amplificadores na infraestrutura existente de fibra óptica.

Para obter mais velocidade, as operadoras poderiam melhorar os amplificadores existentes, presentes em intervalos de 40 km a 100 km de fibra, a um custo de cerca de US$ 21,1 mil (cerca de R$ 112 mil, na cotação atual) para cada unidade.

Ainda que pareça um valor alto, o custo de novos dutos para colocar fibra é estimado pelos pesquisadores em US$ 594 mil (R$ 3,1 milhões) por km em áreas metropolitanas.

No artigo, os cientistas dizem que conseguiriam dobrar a velocidade de qualquer fibra do mundo.

Avanços com internet mais veloz

Essa velocidade toda não foi feita para chegar na internet residencial, mas pode ser necessária para atender a demanda de cada vez mais pessoas se conectando ao mesmo tempo.

Uma transmissão de dados mais eficiente é importante para atender o maior consumo de internet, explicou Galdino.

Próxima geração de internet móvel

A chegada do 5G, próxima geração de internet móvel, pode impulsionar ainda mais essa demanda.

Com velocidades maiores e tempo de resposta mais ágil, a expectativa é que a tecnologia permita a conexão de inúmeros dispositivos interligados, naquilo que é conhecido como Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês).

Novidades que vão desde os carros autônomos até as lâmpadas inteligentes exigirão mais da internet, com conexões rápidas e estáveis.

O 5G teria uma velocidade máxima ideal de 10 Gb/s (gigabits por segundo), mas deve operar abaixo disso no dia a dia.

O avanço liderado pela pesquisadora brasileira está praticamente pronto para ser utilizado na infraestrutura da internet mundial, mas vai depender da necessidade de operadoras e outras grandes empresas.

O próximo passo da pesquisa é aumentar as distâncias nas quais a ultra velocidade pode alcançar.

  • Compartilhe: