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Tráfego da internet brasileira na pandemia: quais foram os impactos?

O tráfego de internet no Brasil vem crescendo significativamente desde o início de 2020, o IX.BR registrou a maior curva crescente desde o ano de 2014. A internet brasileira teve a sua implantação em 1988 pela iniciativa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), tornando-se um dos principais meios de troca de informações e dados no país.

O gerente de infraestrutura do IX.BR, Julio Sirota, afirmou  que o crescimento ocorrido no início da quarentena vem sendo retomado.

“Logo no início do período de quarentena tivemos um aumento de cerca de 15% no pico de tráfego, que foi absorvido pela infraestrutura já instalada. Após 2 semanas, começamos a verificar um decréscimo gradual do tráfego, decorrente de ação dos principais provedores de vídeo pela internet, que reduziram a banda utilizada. Mais recentemente, verificamos a retomada do crescimento pelo aumento das redes conectadas e aumento do tráfego das redes já em operação”, declarou Sirota.

Sendo uma iniciativa do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) e do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), o IX.br atua hoje tanto na implantação como na operação de Pontos de Troca de Tráfego na Internet (PTTs) em regiões metropolitanas do país e tem 33 localidades em funcionamento atualmente.

“O papel de um PTT é oferecer uma infraestrutura de rede para os Sistemas Autônomos (AS) que fazem parte da internet e são presentes em uma região que podem se interligar, trocando tráfego com menor custo e maior qualidade”, informou o gerente.

A iniciativa IX.BR utiliza recursos obtidos por meio do registro dos domínios “.br”, e o NIC.br é uma entidade civil sem fins lucrativos e sem a participação do governo, seja por meio de investimento ou incentivos fiscais especiais.

Atualmente, a internet que está presente em várias residências brasileiras, funcionando por meio de redes interconectadas e espalhadas que obedecem os mesmos protocolos e se interligam.

O cientista da computação e chefe do Departamento de Sistemas de Computação na Universidade Livre de Amsterdã, Andrew Stuart Tanenbaum, explica em seu livro Rede de Computadores que “em meados da década de 1980, as pessoas começaram a ver um conjunto de redes como uma inter-rede e, mais tarde, como a internet”.

Tanenbaum também apresenta na sua obra que “os elementos que formam a base da internet são os modelos de referência TCP/IP e as pilhas de protocolos TCP/IP. O TCP/IP possibilita a criação de um serviço universal e pode ser comparado ao sistema telefônico e à adoção da bitola-padrão pelas ferrovias no século XIX ou com a adoção de protocolos comuns de sinalização por todas as companhia telefônicas”.

Como funciona o acesso à internet?

O acesso à internet brasileira e mundial acontece por meio de provedores. O Internet Service Provider (ISP) é o provedor que oferece serviços de acesso para os usuários, como as empresas de telefonia.

Os provedores de serviços de internet, também conhecidos como “provedores de acessos”, são os que determinam as conexões locais, regionais e nacionais. Além de melhorar a transmissão de dados online por usuários, servidores de internet e outros ISPs.

O acesso acontece quando uma rede local (provedor de internet) estabelece uma conexão com outra rede por meio do protocolo TCP/IP, que é um modelo de comunicação baseado no endereço do Internet Protocol (IP). Essa conexão forma uma “teia” de redes que se conectam entre si.

Como é a arquitetura?

A arquitetura da internet é apresentada e explicada também no livro de Tanenbaum, que inicia o processo pelo cliente (usuário), que acessa o ISP por meio de uma linha telefônica. Segundo o autor, o modem que está localizado dentro PC converte sinais digitais do computador em sinais análogos que passam pelo sistema telefônico.

Visão geral da internet (Andrew Stuart Tanenbaum)

Tanenbaum

“Esses sinais são transferidos para o Point of Presence (POP), ou ponto de presença, do ISP, onde são removidos do sistema telefônicos e injetados na rede regional do ISP. Desse ponto em diante, o sistema é totalmente digital e comutado por pacotes”, descreve Tanenbaum.

Os ISPs são as empresas de telefonias, e os POP são pontos de presenças que hoje encontramos em grande parte com fibra ótica. Segundo Tanenbaum: “se o ISP for a empresa de telefonia local, o POP provavelmente estará localizado na central de comutação telefônica onde termina a fiação telefônica do cliente. Se o ISP não for a empresa de telefonia local, o POP poderá estar algumas centrais de comutação mais afastado”.

A próxima parte é a rede regional, que funciona como um centralizador de conexão e é comandada pelos próprios provedores de acesso à internet. Para Tanenbaum, “a rede regional do ISP consiste em roteadores interconectados nas várias cidades servidas pelo ISP. Se o pacote se destinar a um host servido diretamente pelo ISP, ele será entregue ao host. Caso contrário, o pacote será encaminhado à operadora de backbone do ISP”.

A próxima conexão é com as operadoras de redes de backbones, que possuem milhares de roteadores conectados por fibra ótica e recebem diversos tipos de pacote. De acordo com Tanenbaum, “grandes corporações e serviços de hosts que controlam grupos de servidores (server farms, máquinas que podem servir milhares de páginas da Web por segundo) muitas vezes se conectam diretamente ao backbone”. Existem diversos tipos de conexão, portanto os pacotes possuem destinos e saltam entre diversos backbones, que só são possíveis pela conexão dos backbones aos NAPs.

Conforme Tanenbaum, “basicamente, um NAP é uma sala repleta de roteadores, pelo menos um por backbone. Uma LAN na sala conecta todos os roteadores, de forma que os pacotes possam ser encaminhados de qualquer backbone para outro. Além de estarem interconectados a NAPs, os backbones maiores têm numerosas conexões diretas entre seus roteadores, uma técnica conhecida como formação de pares privados”.

O aumento da utilização da internet no Brasil

Segundo dados da PNAD Contínua TIC 2018 do IBGE, o número de domicílios com acesso à internet vem aumentando. Em 2017, foram registrados um total de 74,9%, e, em 2018, a porcentagem de domicílios foi para 79,1%. Na área urbana, o percentual foi de 80,2% para 83,8%, e na rural de 41% para 49,2%.

Na pesquisa, foi identificado também um crescimento gradual em ambos os tipos de conexão, banda larga móvel (3G/4G) e fixa. Em domicílios que utilizam a internet, o crescimento foi de 78,6%, em 2017, para 80,2%, em 2018. O percentual da banda larga fixa também demonstrou uma evolução de 73,5%, em 2017, para 75,9%, em 2018.

Nos dados apresentados pela Anatel, que se referem aos acessos e à densidade de Banda Larga Fixa — Serviço de Comunicação Multimídia (SCM) — que são enviados pelas prestadoras do serviço, foi apresentado um crescimento desde 2007, alcançando um total de 32.994.902 em abril de 2020.

Evolução dos acessos/densidade de Banda Larga Fixa

Em relação aos dados da evolução de acessos e densidade de Telefonia Móvel no país, os acessos tiveram um crescimento de 2005 até 2015 (quando alcançou um pico). Porém, desde 2015 os acessos estão em queda, mas se mantiveram acima de 200 milhões e alcançaram o total de 225.583.832 em abril de 2020.

A qualidade da internet brasileira

De acordo com o relatório Digital Life Abroad da InterNations de 2019, o Brasil está em 50º no ranking dos “Melhores e os piores países da vida digital”. A pesquisa identificou os melhores e piores países de acordo com a avaliação de satisfação dos participantes, que era dividida dentro de fatores e em uma escala de 1 a 7.

A análise considera o acesso irrestrito a serviços online, como mídias sociais; disponibilidade de serviços governamentais ou administrativos online; facilidade de obter um número de telefone celular local, de pagar sem dinheiro e de ter acesso à internet de alta velocidade em casa.

A qualidade da internet no Brasil, atualmente, pode ser verificada por meio do monitoramento de indicadores de desempenho operacional que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) recebe das prestadoras de serviços.

Em 23 de dezembro de 2019, a Anatel publicou a Resolução nº 717, que aprova o Regulamento de Qualidade dos Serviços de Telecomunicações — RQUAL. O regulamento uniformizará as regras da banda larga fixa, telefonia fixa e móvel e TV por assinatura. Além de trazer indicadores que demonstrarão com precisão as condições de qualidade que os consumidores enfrentam.

O novo regulamento ainda não está totalmente vigente, a Anatel continua realizando o monitoramento por meio dos indicadores anteriores, que são disponibilizados pelas prestadoras de serviço. Estas seguem os indicadores que possuem metas associadas mensalmente em cada uma das áreas geográficas que são definidas na regulamentação dentro da área de atuação.

A evolução mensal geral do cumprimento de metas é fornecida pela a Anatel e demonstra uma variação durante os anos. Em 2020, o cumprimento de metas alcançou 74,2% em janeiro, tendo um aumento em fevereiro, com 76,8%, mas uma queda em março, que fechou com 73,5%.

Com a telefonia móvel, o cumprimento de metas de 2020 iniciou em janeiro, com 28,6%, seguido por um aumento em fevereiro, com 33,2%, e uma queda em março, que chegou a 30,5%.

 

Fonte: TecMundo

 

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