77 3612-0426 / 99973-8813 Área do Assinante Webmail

Brasileiros criam fibra óptica de algas marinhas biodegradável

A fibra óptica está se tornando cada vez mais comum em nosso dia a dia, sendo utilizada, principalmente, em telecomunicações. Entretanto, por ser feita de cristal de óxido de silício, sua aplicação é limitada em outras áreas, como a medicina – o que pode mudar com uma invenção de pesquisadores da Unicamp, que desenvolveram um material a partir de algas marinhas.

Sintetizada a partir do ágar, uma gelatina natural, a novidade traz características inerentes a composições orgânicas: é biodegradável, biocompatível e até comestível. Isso permite que, após implantação em organismos vivos, sondas do tipo sejam completamente absorvidas. Um exemplo de seu uso é a transmissão de luz para fototerapia ou optogenética – como o estímulo de neurônios pela luz para análise de circuitos neuronais.

Detalhes da estrutura da fibra óptica de algas marinhas.

Eric Fujiwara, um dos pesquisadores envolvidos no estudo, conta detalhes do produto: “Nossa fibra óptica consiste em um cilindro de ágar, com diâmetro externo de 2,5 mm, e um arranjo interno regular de seis orifícios cilíndricos de ar, com 0,5 mm de diâmetro cada um, circundando um núcleo sólido. A luz é confinada devido à diferença entre os índices de refração do núcleo de ágar e dos buracos de ar”.

Outras aplicações

As expectativas iniciais da tecnologia vão um pouco mais além. Por ter sido testada em diferentes meios, como ar, água, etanol e acetona, foi verificado que a fibra óptica de algas marinhas é sensível ao ambiente, o que comprova seu funcionamento como sensor. Portanto, a detecção de microrganismos em órgãos específicos não está longe da realidade. “O fato de a gelatina sofrer alterações estruturais sob variações de temperatura, umidade e pH torna a fibra adequada para fins de sensoriamento óptico”, detalha Eric.

Imageamento de estruturas corporais e entrega localizada de medicamentos são outras possibilidades, assim como o uso simultâneo da fibra como sensor óptico e meio de crescimento para microrganismos, direcionando substâncias específicas a locais igualmente específicos. Fujiwara explica o processo: “Nesse caso, o guia de ondas pode ser projetado como uma unidade de amostra descartável, contendo os nutrientes necessários. As células imobilizadas no dispositivo seriam sensoriadas opticamente e o sinal analisado por meio de câmera ou espectrômetro”.

O ágar é um material composto pela mistura de dois polissacarídeos: agarose e agaropectina. Logo, vamos aguardar para ver o que futuro das pesquisas nos reserva.

 

  • Compartilhe: